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O Século XVIII

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O Século XVIII Empty O Século XVIII

Mensagem por sombrio em Sab 10 Abr 2010 - 0:26

* O Rio de Janeiro sob a Influência da Estabilidade Européia
* O Rio de Janeiro passa a ser a Capital do Brasil
* O Povo sob o Medo das Invasões Francesas
* A Descoberta do Ouro
* A Superação de Tordesilhas
o Os Tratados de Limites
* Governador Gomes Freire de Andrada - O Conde de Bobadela - 1733-1763
* O Tempo dos Vice-Reis
* O Espaço Urbano do Rio de Janeiro
* Relação dos Capitães-Governadores que a cidade teve no Século XVIII


O destino da Cidade do Rio de Janeiro, continuou no Século XVIII, a depender da dinâmica colonial portuguesa e dos
conflitos entre as potências européias. Ao longo deste Século, o centro de gravidade da América portuguesa deixou de
ser o Nordeste para se desviar em direção ao Sudeste e o Rio de Janeiro, desempenhou papel importantes neste trajeto,
passando a ser a principal cidade brasileira.

Teve um importante papel militar, pois a partir dele os portugueses colonizaram o Sul do Brasil e dirigiram suas
hostilidades aos espanhóis do Rio de Prata. Mas teve um papel econômico, que complementou sua importância, devido
ao seu vínculo com a Região das Minas e a descoberta do ouro e diamantes, tendo se tornado o depositário das riquezas
da Colônia e da Corte.


O Rio de Janeiro sob a Influência da Estabilidade Européia

O Século XVIII teve seu início marcado pela rivalidade franco-britânica, com a Inglaterra se impondo nos mares e no mundo ultramarino e a França enfrentando seu declínio no poder continental, porque as questões coloniais pesavam cada vez mais na influência e poder das grandes potências.

Portugal e Inglaterra eram aliados desde antes dos tempos modernos e esta aliança foi reforçada após a Restauração em 1640. Em virtude desta aliança, Portugal não podia ficar afastado da Guerra de Sucessão da Espanha (1701-1713), que envolvia a França e Inglaterra. Um fator preponderante que pesou na decisão de Portugal foi a segurança das rotas marítimas e comerciais das colônias lusas, principalmente no Atlântico.

O Rei D. Pedro II (1667-1706) aderiu à Grande Aliança que uniu Inglaterra, Áustria, Holanda e Principados Alemães no apoio ao Arquiduque Carlos da Áustria para herdeiro de Carlos II da Espanha, contra a França que queria impor um Rei Bourbon no trono espanhol. A adesão portuguesa favorecia seus interesses marítimos e imperiais em troca de vantagens comerciais, políticas e militares que os aliados lhes ofereciam.(1)

A adesão de Portugal à Grande Aliança se por um lado fez com que ele ganhasse a proteção da Inglaterra, por outro foi também a causa do estabelecimento de uma sistemática de ataques movidos por corsários de diferentes nações aos domínios ultramarinos portugueses, principalmente dos franceses. A região estratégica do Rio de Janeiro, que era uma das jóias preciosas da Coroa Portuguesa, não podia ficar de fora do alvo dos ataques franceses e entre as várias incursões realizadas à região no início do Século XVIII, duas tiveram particular destaque devido ao caráter lesivo que teve para a Metrópole: a de Duclerc, em 1710 e a de Duguay-Trouin, em 1711.

O Tratado de Utrecht, assinado em 1713, terminou com a Guerra de Sucessão e o trono espanhol foi ocupado por um Bourbon, mas apesar disto a França perdeu sua influência nos mares devido ao crescimento do poderio marítimo da Inglaterra. Desta forma se redefinia o equilíbrio europeu com a Inglaterra ocupando o principal posto, uma vez que se beneficiou com os Tratados realizados com as potências perdedoras: França e Espanha e com os acordos estabelecidos com Portugal pelos Tratados de Menthuem.

Com o equilíbrio estabelecido em Utrecht, o mundo colonial passou a ter um peso significativo no equilíbrio europeu e Portugal, através da aliança com Inglaterra, conseguiu a sobrevivência do Reino Ibérico como nação colonizadora e assim atravessou o Século XVIII, mantendo sua posição diante das rivalidades coloniais anglo-francesas.(2)

Após o Tratado de Utrecht, as potências européias atravessaram um período de paz, que durou até 1740, enquanto se intensificava a concorrência colonial, mas com os conflitos surgidos com a sucessão dos tronos da Polônia entre 1733 e 1748 e da Áustria entre 1740 e 1748, o equilíbrio foi quebrado. A partir de 1750 com a Revolução Diplomática, as alianças se modificaram, deixando de um lado França, Espanha e Áustria e do outro Inglaterra e Prússia, o que deu origem à Guerra dos Sete Anos (1756-1763).

D. João V (1706-1750), que sucedeu D. Pedro II em Portugal, tentou manter-se fora dos conflitos e da tensão política internacional, gerada pelas rivalidades franco-germânicas. D. José I (1750-1777), que sucedeu D. João V, não teve como fugir da tomada de posição e os sólidos e antigos laços que uniam Portugal e Inglaterra prevaleceram. Portugal foi invadido em 1762 pelo exército franco-espanhol, mas em 1763 foi firmado, em Paris, o Tratado que pôs fim à Guerra dos Sete Anos. O Governo de D. José foi de grande importância e marcou um período de prosperidade para Portugal e nela teve destaque uma figura das mais importantes da Coroa, o recém empossado Ministro dos Negócios do Reino de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Mello, que viria a ser o Marques de Pombal (1699-1782) e que na época era o Conde de Oeiras.

A Guerra dos Sete Anos, não poderia deixar de envolver a colônia portuguesa na América do Sul, uma vez que as atividades de corso se intensificassem e as disputas entre Inglaterra e França fizeram com que o Rio de Janeiro mais uma vez fosse alvo dos franceses. Em julho de 1757, novamente a cidade viu uma esquadra francesa, comandada pelo Conde de Ache, entrar na Barra da Baía de Guanabara. O então Governador e Capitão General do Rio de Janeiro e das Minas - Gomes Freire de Andrada – o Conde de Bobadela (1733-1763), estava em missão no sul do país e foi substituído por seu irmão José Antonio Freire de Andrada que na época estava na Região das Minas, arrecadando tributos e havia deixado em seu lugar o Tenente-Coronel Manoel Figueiredo.

A frota, no entanto, estava a caminho da Índia, para atacar os ingleses, e havia sido preparada por Luís XV e pelas Companhias das Índias Orientais e não pretendia atacar o Rio de Janeiro, pois Portugal, na época ainda não havia aderido à Guerra contra os franceses, mas depois da experiência de 1711, o medo em relação a abordagens de navios estrangeiros, principalmente franceses, deixou a população e as autoridades em alerta para com os visitantes.

Neste período muitas cartas foram enviadas à Corte pelos súditos fluminenses pedindo que a segurança da cidade fosse reforçada para a eventualidade de uma invasão estrangeira. O Ministro Sebastião José de Carvalho e Mello, diante da situação não podia desconsiderar o temor existente na cidade, cujos habitantes ainda tinham em mente os sofrimentos resultantes dos ataques sofridos na década de 1710 e o fato do Governador se achar ausente tornava a situação muito mais crítica.

Oque contribuiu ainda mais para agravar o clima de medo existente na cidade foi o fato de que naquela época, já se sentia o efeito causado pelo ouro encontrado na região das Minas e o Rio de Janeiro já havia se tornado depositário de um imenso tesouro proveniente desta região, o que iria fazer com que ele se transformasse em um importante centro de Comércio e uma preciosidade das mais importantes da América Portuguesa e isto não poderia deixar de despertar a ambição de outros países.

Para o Conde Oeiras não havia a menor dúvida, a perda do Rio de Janeiro significaria a perda de todo o Brasil, porque o Rio de Janeiro, era a moeda de garantia que Portugal tinha para se manter no cenário das articulações e conflitos que marcavam a hegemonia européia durante o Século XVIII e Portugal não queria ser excluído deste cenário. O Conde deixou um conjunto de documentos onde demonstra a preocupação que o dominava, em relação ao assédio sofrido pela cidade e seu receio sobre o que poderia ocorrer caso este problema não fosse seriamente enfrentado.

Em virtude deste fato não deve ser visto com surpresa a ordem dada pelo Conde, em 1758, ao Governador Gomes Freire de Andrada, para que ele deixasse com urgência os campos de batalha e as difíceis negociações de limites no Sul do Brasil, porque motivos não faltavam para temer o destino que teria a cidade. Suas ordens eram para que assim que chegasse reparasse e municiasse as fortalezas com a maior rapidez possível.(3)

As preocupações do Ministro não eram sem fundamentos e de fato ainda no contexto da Guerra dos Sete Anos, o pior esteve para acontecer à vida da cidade. O projeto francês, segundo Maria Fernanda Bicalho, é pouco mencionado na Historiografia, mas representou uma grande ameaça:

"previam o estabelecimento de um Vice-Reino francês no Brasil com perspectivas mais ou menos duradouras, ao contrário do que ocorrera mais de cinqüenta anos antes, quando se efetivou a expedição de corso comandada por Duguay-Trouin."(4)

Esta situação se configurava diante das vitórias obtidas pelos ingleses nas antigas possessões francesas da América do Norte e das Índias Orientais, Luís XV queria então contrabalancear suas perdas e para isto escolheu terras do Brasil, que além de pertencer a um Monarca aliado à Inglaterra era uma colônia de grande importância, cuja posse redundaria em grande perda para Portugal e também para a Inglaterra e que daria à França um importante trunfo nas negociações que seguramente iriam se realizar com o fim da Guerra.

O grande estrategista da expedição seria o Conde D’Estaing, que defendia o ataque ao Rio de Janeiro e não a Salvador, porque era onde se acolhiam as mais ricas e importantes frotas portuguesas. Se a invasão fosse feita a Salvador o Rio de Janeiro poderia ser avisado e se preparar para reagir, mas sendo o contrário, Salvador cairia com facilidade. D’Estaing deveria ocupar o cargo de Vice-Rei francês no Brasil e recebeu sua provisão em 16 de outubro de 1762, era um profundo conhecedor da dinâmica política, administrativa e militar da Colônia portuguesa.

Este planejamento, apesar de muito bem concebido não foi realizado, porque a paz foi restabelecida, em 1763, antes que os invasores franceses saíssem do Porto de Brest.

Assim embora travada na Europa a Guerra dos Sete Anos teve suas conseqüências refletidas nas Colônias, principalmente nas pertencentes aos países ibéricos, que se mostravam vulneráveis aos efeitos da Guerra. Portugal viveu um período de grande perigo para sua principal Colônia, o Brasil e ainda como resultado desta Guerra, outro fato teve grande importância para a Cidade do Rio de Janeiro: A TRANSFERÊNCIA DA CAPITAL DO ESTADO DO BRASIL, DE SALVADOR PARA O RIO DE JANEIRO, EM 1763.

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O Rio de Janeiro passa a ser a Capital do Brasil

No plano mais geral a transferência da capital do Brasil, fazia parte do movimento de estreitamento dos controles da Coroa sobre o território da Colônia, característica do Governo Pombalino. Do ponto de vista imediato decorreu da necessidade de organizar as defesas do Sul em virtude da Guerra dos Sete Anos e da importância estratégica e econômica que a região adquiriu com a descoberta das Minas.

A escolha sobre o Rio de Janeiro não foi concebida de maneira intempestiva, mas foi resultado de um processo que já vinha se delineando a alguns anos como conseqüência das transformações que vinham ocorrendo na cidade: onde se encontravam localizadas as principais forças militares da Colônia; onde se concentravam as negociações e o controle do Sul e muitas vezes até do Norte; onde ficava o Porto de maior importância do Brasil e onde a descoberta do ouro da região das Minas teve grande impacto no desenvolvimento, porque a cidade passou a concentrar as maiores riquezas da Colônia e passou a ser o principal escoadouro do metal e dos diamantes das Gerais.

A transferência atendia aos interesses da Coroa, mas também tornava oficial uma situação já existente de fato, levado pelas diversas melhorias urbanas realizadas na cidade do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro era então governado por Gomes Freire de Andrada, seu último Governador, que veio a falecer em janeiro de 1763, após uma doença rápida, mas fulminante. Com sua morte se perdia um grande negociador das questões dos limites do Brasil. Estas questões eram extremamente delicadas e representava um segundo ponto de ameaça à integridade do território do Brasil, porque além da constante ameaça francesa contava também com o perigo espanhol, que tinha como objetivo as disputadas praças do Sul, que lhe faziam fronteira, incluindo a Colônia do Sacramento e mais a região do Rio Grande e de Santa Catarina.

Se o ataque francês ao Rio de Janeiro não foi realizado, o espanhol se concretizou, porque diante da dificuldade da retirada dos portugueses da Colônia do Sacramento, o Governador de Buenos Aires, D. Pedro de Cevalhos planejou um ataque aos fortes portugueses com o objetivo de expulsar os portugueses e conseguiu chegar até o Viamão, no Rio Grande. Mas os Tratados de Paz, pondo fim à Guerra dos Sete Anos, pôs fim também aos conflitos no Sul do Brasil.

A morte de Gomes Freire e a necessidade de ter no Rio de Janeiro um Governador forte contribuíram para a decisão de se transferir a Capital para o Rio de Janeiro. Em 11 de maio de 1763, foi nomeado o Conde da Cunha, para Vice-Rei do Brasil, com a ordem de residir na cidade do Rio de Janeiro. O novo Vice-Rei tomou posse a 21 de dezembro de 1763.(5)

O Rio de Janeiro como capital do Brasil vinha consolidar o destino desta cidade nascida sobre o signo das grandes transformações do mundo renascentista, com características de independência e aberta para o mundo, com vocação mercantil. A centralidade da cidade se impunha a todo o Império Português e também às demais potências européias.

Por outro lado o Rio de Janeiro se tornava capital num momento delicado para Portugal no contexto internacional, diante da disputa travada pelas nações européias para manter suas conquistas nas regiões ultramarinas, novamente refletindo um momento de grandes transformações culturais e econômicas que modificaram o mundo, a Época das Luzes. Portugal necessitava de um importante ponto de defesa de suas posses no Novo Mundo, frente às outras nações. A Inglaterra após a Guerra, adquiriu o predomínio sobre todas as nações européias e passou a considerar que poderia conquistar todos os domínios ultramarinos.


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A Superação de Tordesilhas

A Colônia do Sacramento, fundada em 1680 e que ficava sob a jurisdição do Rio de Janeiro, sendo por isto comandada pelo Governador do Rio de Janeiro, com a Guerra de Sucessão da Espanha foi invadida em 1705, pela Espanha, mas o Tratado de Utrecht, de 1713, obrigou a Espanha a reconhecer o direito de soberania portuguesa sobre a Colônia e ela voltou a ser ocupada pelos portugueses.


Os Tratados de Limites

Apenas no Século XVIII, foram realizados Tratados entre Portugal e Espanha, estabelecendo as fronteiras reais entre as Colônias, porque com a União Ibérica, como todas as terras pertenciam à Espanha, Portugal avançou pelo território da América do Sul e até o Século XVIII, ainda estava valendo o Tratado de Tordesilhas, portanto a demarcação das terras não havia sido negociada.

O Tratado de Madri firmado, em janeiro de 1750, pelas duas nações ibéricas, determinou que Portugal cedesse a Colônia do Sacramento à Espanha e, em troca, garantia o domínio de Portugal sobre os territórios pertencentes à Espanha, mas ocupados pela expansão luso-brasileira.

Os territórios atingidos pelo tratado e que hoje estão integrados à República do Brasil, abrangiam terras dos atuais Estados: do Rio Grande do Sul; de Santa Catarina; do Paraná, de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; de Tocantins; de Rondônia; do Amazonas; do Amapá; de Roraima e a maior parte do Estado do Pará.

O Tratado também estabeleceu que as fronteiras entre os domínios de Portugal e de Espanha na América adotariam o curso dos rios como limites naturais inconfundíveis. Fixou ainda que eventuais guerras entre os dois reinos na Europa não justificariam conflitos armados no continente americano.

Os especialistas hispano-americanos viam com antipatia o Tratado de Madri, porque consideravam que ele tinha sido prejudicial às colônias americanas da Espanha e aos países sul-americanos que elas originaram. O historiador argentino Carlos Correa Luna considera que ele:

"llegitimó uma magna usurpación territorial."(6)

No Brasil o Tratado era considerado justo, sendo defendido pelo Barão do Rio Branco:

"O estudo do Tratado de 1750 deixa a mais viva e grata impressão de boa fé, lealdade e grandeza de vistas que inspiraram este ajuste amigável de antigas e mesquinhas querelas, consultando-se unicamente os princípios superiores da razão e da justiça e as conveniências da paz e da civilização da América."(7)

Na realidade, ao se olhar um mapa do Brasil com a linha reta de Tordesilhas e a foice do Tratado de Madri, tem-se a impressão de que a Espanha cedeu muito: afinal, cerca de dois terços do território nacional são constituídos por terras extra-Tordesilhas. A explicação corrente do Acordo é que houve uma compensação global: no Oriente foi a Espanha quem legalizou a posse de regiões que seriam portuguesas pela divisão de 1494, como as ilhas Filipinas e Molucas. Tratou-se, portanto, de um acerto mundial de contas. O argumento é, aliás, consignado no próprio texto do Tratado, quando, na introdução, Portugal alega que a Espanha violou a linha de Tordesilhas na Ásia e a Espanha, que Portugal a violou na América.

O Tratado de Madri provocou reações tanto na América como na Europa: os comerciantes ligados ao contrabando na Colônia do Sacramento achavam que tinham tido suas atividade dificultadas; autoridades espanholas e portuguesas não aceitavam a troca de territórios que tinham sido palco de lutas pela sua posse e que, além disto, eram fonte de rendas para muitos deles.

Mas o maior problema criado foi em relação aos Sete Povos das Missões do Uruguai, em terras gaúchas, onde os jesuítas espanhóis possuíam aldeamentos indígenas e não haviam esquecido o período de atrocidades cometidas pelos bandeirantes na primeira metade do século XVII, por esta razão os indígenas se revoltaram. O tratado atingiu profundamente os membros espanhóis da Companhia de Jesus, uma vez que eles se negavam a abandonar o trabalho desenvolvido com os índios guaranis nas Missões, no Rio Grande.

Portugal considerava improvável a saída dos jesuítas espanhóis das Sete Missões, Sebastião José de Carvalho e Mello, escreveu ao então Governador – Gomes Freire de Andrada, nomeando-o Primeiro e Principal Comissário Régio para negociar o Tratado de Limites da América do Sul, ordenando que ele mantivesse o controle da Colônia do Sacramento, até que as Missões fossem definitivamente desocupadas e passassem à posse dos portugueses.(Cool

As divergências e dificuldades ocorridas na região do Rio da Prata para fazer valer os termos do Tratado, geraram uma guerra que uniu os portugueses e os espanhóis contra a insurreição dos indígenas comandada pelos padres jesuítas, a Guerra Guaranítica. Em 1756, a guerra teve fim e o território das Missões foi entregue aos portugueses, mas Gomes Freire, ainda de posse da Colônia do Sacramento, recusou a receber o território enquanto os índios não fossem totalmente retirados. Em 1761, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de El Pardo, que revogava o Tratado de Madri, que não chegou a ser implementado, deixando a situação das fronteiras do sul do Brasil da mesma forma que se encontrava em 1750.

Na segunda metade do século XVIII, as rivalidades entre Inglaterra e França acabaram por atingir os Reinos Ibéricos e a relações diplomáticas entre Portugal e Espanha que já eram tensas, em virtude do tratado de El Pardo, pioraram porque um Pacto de Família uniu os Bourbon reinantes na França e na Espanha. Portugal vinculado economicamente à Inglaterra, ficou em campo oposto à Espanha, o que dificultou a situação de disputa a respeito do controle de territórios no Sul do Brasil e da região do Rio da Prata.

Um novo conflito eclodiu com a Independência das Colônias Inglesas da América do Norte, entre 1776 e 1783, fazendo com que a Inglaterra deixasse de apoiar Portugal em suas discordâncias com a Espanha. Nesta situação os espanhóis ficaram mais fortes e em condições de enfrentar Portugal, assim ocuparam a Colônia do Sacramento e invadiram terras de Mato Grosso.

Em 1777, já sob o reinado da filha de D. José, D. Maria I (1777-1816), Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Santo Ildefonso, estabelecendo que a Colônia do Sacramento e os Sete Povos ficariam com a Espanha, em troca a Ilha de Santa Catarina e grande parte do território do Rio Grande do Sul ficariam com Portugal.
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Governador Gomes Freire de Andrada - O Conde de Bobadela - 1733-1763

Gomes Freire de Andrada, foi o último Capitão-Governador do Rio de Janeiro e o que por mais longo tempo exerceu o cargo, governou durante trinta anos. Neste extenso período, grande soma de serviços prestou à cidade. Sua ação não se limitou apenas ao Rio de Janeiro, pelos poderes de que foi investido, estendeu sua atividade a todo o território meridional, incluindo as Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Colônia do Sacramento. Mas apenas falando em relação ao Rio de Janeiro, os serviços e iniciativas de Gomes Freire são muito variados e extensos:

*

Construiu os novos Arcos da Carioca, que ficou pronto em 1750 e que até hoje enfeita a paisagem carioca, em substituição aos Arcos Velhos construídos por Aires de Saldanha, que foi Governador entre 1719 e 1725, mas que tinham se revelado precários;
*

Edificou o Paço dos Governadores, depois dos Vice-Reis, Real e Imperial sucessivamente, para dar à cidade uma sede digna de sua importância. O prédio foi construído, entre 1744 e 1750, no local onde antes funcionava o Armazém Del Rei e lá se encontra até hoje como Centro Cultural Paço Imperial;
*

Promoveu a construção do Convento de Santa Teresa, onde está sepultado e a cujas freiras, a quem chamava de suas filhas, foi sempre muito dedicado;
*

Construiu o Convento da Ajuda construído em 1750 e demolido em 1911;
*

Levantou no Terreiro do Carmo um chafariz levando até ele a água que vinha do Largo da Carioca, através de um cano que passava pela Rua do Cano, atual Sete de Setembro. Este chafariz, posteriormente, foi removido por D. Luís de Vasconcelos;
*

Construiu a Casa do Trem, com o objetivo de armazenar material bélico, o local possuía uma oficina para conserto de armas e uma fundição;
*

Ampliou as obras de defesa da cidade;
*

Reformou a Casa da Câmara para nela instalar o Tribunal da Relação;
*

Iniciou a construção de uma Sé Nova para a cidade, no Largo da Sé atual Largo de São Francisco, mas o projeto não foi adiante e no local foi depois construída, já no tempo de D.João, a Academia Real Militar;
*

Deu início ao Hospital dos Lázaros, recolhendo os leprosos que vagavam pela cidade a duas casas localizadas em uma chácara em São Cristóvão;
*

Mandou reconstruir a Fortaleza da Ilha das Cobras e construiu a Fortaleza da Conceição, em 1743, onde até hoje se acham localizados serviços do Exército;
*

Abriu ruas e estradas, construiu pontes e realizou muitas outras obras de melhoramento urbano.

Em todos os trabalhos de construção que Gomes Freire promoveu, teve a participação do engenheiro militar Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, que foi seu braço direito.

Nos serviços de administração propriamente dita, introduziu normas e regulamentos para lhes dar maior eficiência. Reorganizou as tropas da guarnição, formando-as em regimentos. Continuou a obra de Vahía Monteiro, que governou a cidade de 1725 a 1732, na repressão ao contrabando do ouro. Restabeleceu a ordem nos Campos dos Goitacases onde se esboçara um movimento de rebelião contra as autoridades. Conseguiu realizar a cobrança de novos tributos decretados pela Coroa e que a princípio haviam provocado movimentos de protesto entre as populações de São Paulo e Minas. Decretada a expulsão dos jesuítas e confisco de suas propriedades, executou a medida com muito tato, mas rigorosa precisão.

Durante as suas ausências, nas viagens que fez a São Paulo, Minas, Goiás, Santa Catarina, e ao Sul para tomar posse do Território das Missões e demarcar as fronteiras com os domínios de Espanha, foi interinamente substituído, nas diversas ocasiões, no governo da cidade por Matias Coelho de Sousa, Patrício Manuel de Figueiredo e José Antônio Freire de Andrada, seu irmão.

Ausentando-se da cidade, Gomes Freire sempre deixou aos seus substitutos eventuais minuciosas instruções que assegurassem a continuidade de sua política. Incentivando o apreço pela cultura, Gomes Freire reuniu no palácio, em duas ocasiões, os intelectuais da terra com o propósito de instituir uma associação de letrados. Entretanto, a Academia dos Felizes, de 1736, e a Academia dos Seletos, de 1752, não tiveram vida longa, ou por lhes faltarem elementos de vida, ou por terem sido olhadas com desconfiança pelo poder real.

Destes ensaios culturais nasceu a primeira tipografia fundada no Rio de Janeiro por Antônio Isidoro da Fonseca, em cuja oficina parece ter sido impresso o Exame de Bombeiros, de autoria do Brigadeiro José Fernandes Alpoim, além de outras publicações de menor vulto. A Corte de Lisboa, porém, sempre receosa das idéias subversivas que a expansão da cultura poderia propagar na colônia, onde se esforçava por manter a ignorância, mandou que fosse destruída a oficina de Isidoro da Fonseca e queimados os seus maquinismos.

Foi no período de Governo de Gomes Freire que, por Provisão Real, de 1757, a Câmara do Rio de Janeiro recebeu o título e as prerrogativas de Senado da Câmara que conservou até a Proclamação da Independência quando, pela Constituição do Império, passou a ser Ilustríssima Câmara Municipal.

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados, foi Gomes Freire de Andrada, em 1758, agraciado com o título de Conde de Bobadela. Pela mesma razão permitiu o rei que, como honrosa exceção, o Senado da Câmara mandasse colocar em seu espaço o retrato do Governador, pintado por Manoel da Cunha e Silva.

Em fins de 1762, não ousando enfrentar as forças de D. Pedro Ceballos, Governador de Buenos Aires, Vicente da Silva da Fonseca, que comandava a guarnição da Colônia do Sacramento, entregou a praça aos espanhóis. Recebendo a notícia dolorosa, teve Bobadela tão grande indignação e desgosto que, achando-se enfermo, os seus padecimentos se agravaram subitamente, vindo a falecer em 10 de janeiro de 1763. De acordo com os seus desejos, foi sepultado na Igreja do Convento de Santa Teresa onde seus restos jazem num mausoléu mandado erguer pelas freiras que se recusaram a cumprir a sua vontade de repousar em campa simples sem nenhuma inscrição que a assinalasse.
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Relação dos Capitães-Governadores que a cidade teve no Século XVIII
Artur de Sá e Meneses - 1697 -1702 D. Álvaro da Silveira e Albuquerque - 1702-1705 D. Fernando de Mascarenhas - 1705-1709 Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (primeiro governo)- 1709 Francisco de Castro Morais - 1710-1711 Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (segundo governo) - 1711-1713 D. Francisco Xavier de Távora – 1713 – 1716
Manuel Castelo Branco – 1716 Antônio de Brito e Meneses - 1716-1719 Aires de Saldanha - 1719-1725 Luís Vahía Monteiro - 1725-1732 Manuel de Freitas da Fonseca - 1732-1733 Gomes Freire de Andrada – 1733–1763 Junta Governativa – 1763

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